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Mostrando postagens de Abril, 2014

Short term 12

"Era  uma vez, em algumas milhas e milhas no fundo do oceano, vivia uma jovem polvo chamada Nina.  Nina passa a maior parte do tempo sozinha elaborando estranhas criações feitas de pedras e conchas. E era muito feliz.  Mas numa segunda-feira, o tubarão apareceu.  - Qual o seu nome? - Disse ele. - Nina. - Quer ser minha amiga? - Ok, o que eu tenho que fazer? - Nada demais, apenas deixe eu comer um dos seus tentáculos. Nina nunca teve um amigo antes, então ela pensou que talvez isso era o que deveria ter feito para conseguir um. Olhou para seus oito tentáculos e decidiu que não seria tão ruim dar um deles. Então deu um a seu maravilhoso novo amigo. Cada dia naquela semana, Nina e o tubarão brincaram juntos. Exploravam cavernas, construíam castelos de areia e nadavam muito, muito rápido. E todas as noites o tubarão ficaria com fome e Nina daria outro de seus tentáculos para alimentá-lo. No domingo, depois de brincar o dia todo, o tubarão disse para Nina que estava muito faminto. - …

Adiar pode infectar

É cientificamente compreensível que, devido a alguns hormônios, a adolescência seja um período marcado por necessidades de viver intensamente, o que distancia muitas vezes a racionalização, seja de assuntos simples ou até mesmo mais complexos como a síndrome da imunodeficiência adquirida. A doença já completou três décadas e, embora atualmente possamos dizer que temos o “controle” sobre ela com a utilização de coquetéis, ainda não temos motivos de enxergá-la com menor gravidade já que nenhuma vacina foi desenvolvida para a sua erradicação. Milhares de pessoas em nosso país estão infectadas e sequer sabem. As mortes anuais registradas em todo o mundo contam até hoje números significativos. Tais contagens deveriam ser suficientes para fazer-nos notar que essa doença não é algo distante de nossa realidade e não escolhe o indivíduo por alguma condição social. Os métodos de proteção não anulam eventos intensos e nem significam tratados de desconfiança, então, a dificuldade imposta em proteg…

Ajuste memorial

Na manhã em que você me deu um chocolate, eu não entendi o motivo e devo ter dito "obrigada" com cara de "que porra é essa?" para manter a educação (que tenho muita) e porque eu não sabia realmente o que fazer. Da primeira vez que sentei ao seu lado, foi em um estúdio musical, seu celular era rosa e no mesmo dia notaram o quão parecidos eram nossos rostos, mesmo que eles não fossem, como nós não achávamos. Hoje eu acho, às vezes. Nossas duzentas manhãs variaram muito. A princípio... Não lembro de você nas nossas primeiras manhãs. Na metade delas, você tornou-se indispensável, não à minha vida, mas às manhãs, se é que me entende, se é que dá para entender. Era confortante acordar por saber que eu ia sentar ao seu lado.. Mentira, era só mais animador, nada de extraordinário. Seus dedos tortos (exageradamente tortos, meu Deus) roubaram muitos segundos de atenção de minha vida, a cobrinha que você fazia (você ainda faz?) com as mãos mais ainda. Engraçado que eu eu lem…

Cabelos, olhos e besteiras!

Sinto saudade de cuidar da minha franja. Mentira, só sinto dela, pois não tenho tempo nem de lavar os cabelos direito, é verdade, então, me julguem. Parece que tenho uma família, plantas e cachorros para cuidar, mas não tenho nem a mim, só tenho uma pilha de assuntos para estudar que quanto mais eu estudo, mais brota e isso é a conclusão da minha falta de tempo: querer estudar cada brotamento.  Sei que talvez um dia eu escreva que sinto falta de quando tinha tempo de deixar meu cabelo ficar ensebado por não precisar sair de casa porque algum dia eu não vou mais ter tempo de ficar em casa, portanto, não vou ter tempo de deixar meu cabelo sujo porque ninguém é obrigado a andar com uma mulher (porque nesse tempo, eu serei mulher) com os cabelos ensebados e nem eu mesma vou precisar passar por isso, mas vou ter uma saudade danada do descaso. E algum dia eu vou dar um outro significado a "descaso", porque hoje meu descaso é só com o meu cabelo que eu só estou esperando crescer p…

Really?!

You'll be ok, you don't need me Believe me, you'll be fine Then i knew what she meant And it's not what she said Now I can't believe that she's gone

"Uma vez estive no Himalaia

[...] com dois  amigos. Entramos em uma caverna deserta. Era tão bonita que passamos a noite lá. Na  manhã seguinte veio um monge e disse: “Saiam, esta é a minha caverna!”  [...] “Como é possível que esta caverna seja sua? Você não vê que é uma  caverna natural? Você não pode tomar posse dela, você não a construiu. E você renunciou  ao mundo, à sua casa, à sua família, aos seus filhos, seu dinheiro e tudo mais, e agora está  dizendo que esta é sua caverna e que nós devemos sair? Esta caverna não pertence a  ninguém!”  Ele estava muito irritado. Disse: “Vocês não me conhecem! Sou um homem  perigoso! Não vou deixar a caverna para vocês. Tenho vivido nela durante os últimos treze  anos!”  Nós o provocamos o máximo que pudemos, ele estava cheio de ira, pronto para  matar! Então me virei e disse: “Está bem. Nós vamos embora. Estávamos apenas  provocando você para lhe mostrar que treze anos se passaram, mas sua mente continua a  mesma. Agora esta caverna é sua, porque você morou aqui dura…

Geração Prozac

Ágatha Flora - 6 meses atrás - sobre Geração Prozac.

A depressão parece ser um só lugar onde muitas pessoas caem, mas é tão escuro que ninguém consegue se ver. O "não" como resposta às vezes nos abrem muito mais portas que o "sim". É fantástico confundir o amor quando a gente tá assim, quando passa, a gente nem entende mais o que sentia porque a conclusão é de que nada existia além da luta entre você e você mesmo. A gente não necessita cair apenas uma vez na vida, e por mais que quedas diferentes doam de formas diferentes, a gente tem que encontrar a força pra levantar dentro de nós mesmos em todas elas. Outra coisa é que o que mais nos atinge é aquilo que a gente menos consegue ver porque assim não consegue se defender, aí você nega a origem do "ataque" por parecer improvável, por ser invisível...








"Brilho eterno

de uma mente sem lembranças.  Toda prece é ouvida,  toda graça se alcança."
Boa memória é uma maldição. Tudo bem que ela já me salvou mais vezes do que posso lembrar (note a ironia junta de uma antítese (finge que isso é interessante (que saudade de usar um parêntese dentro de outro))), mas é uma desgraça, é, sim. Em qualquer data que eu vejo por qualquer página ou parede, meu cérebro se enfia dentro de um carrinho de montanha-russa e me lembra com quem eu estava, que dor eu sentia ou que saudade eu devo ter. Pra que isso? Não sei. Às vezes, em muitas vezes, eu acho que dentro de mim mora alguém que não conheço e que me detesta porque não é possível que minha memória seja tão boa para coisas ruins (para muita utilidade também, mas já disse) assim em modo aleatório neste mundo de gente tão esquecida. 

Sobre o tempo que não para nem passa

Sua vida é toda centrada em cima de dores pessoais. Na tentativa de remediar as alheias, você receita seus próprios remédios, finge estar interessado em ajudar alguém mesmo sem saber que está fingindo. Tem casos que até são solucionados, mas por pura sorte. Sorte existe, também. A realidade das coisas nada tem a ver com a duração delas. Não é porque foram necessários oito meses para sentir algo bom que os oito meses foram ruins, nem muito menos porque passou um dia com uma pessoa e nunca mais a esqueceu que isso torna desprezível o "um" dia. Você é mimado. Por mais que acorde todos os dias já tendo uma vida nas próprias mãos, mesmo que já tenha batido na sua própria cara dizendo que é hora de crescer e mesmo que você já tenha, de fato, crescido. Você é a porcaria de um menininho mimado por si mesmo que acha que uma válvula ou outra aquieta sua agonia. Você só acha, mas saber que é bom, não sabe nunca. É por isso que os meses se arrastam a cada nanosegundo te fazendo pirar e…

Conexões de amor sobre IP

"- Preciso mesmo ir. Depois te chamo.
- O tempo do outro demora uma eternidade. O tempo do outro demora duzentas mil vezes o espaço que eu dou para o tempo do outro. Eu preciso ver a outra pessoa para saber se de fato gosto dela, mas não consigo. Minha ânsia de amar é tão grande que me apaixonei criança por um vulto e até hoje fico pegando coisas reais para tentar preenchê-lo, mas o amor vive vazio. É como se eu tivesse te comprado, ou melhor: te inventado. A pior vingança de quem ousa inventar um amor é o personagem criar vida própria. Eu não respeito você. Não me importa sua hesitação. Qualquer tempo seu longe de mim é uma ofensa pessoal.
- Eu só tô te conhecendo, entende? Foi legal e tudo. Mas amor? Quem é que ama em uma semana?
- Eu.
- Você acha que me ama, mas você não ta me vendo. Você tem uma sala na sua cabeça. Uma sala com um homem sentado no centro dela. Esse homem tem uma xícara de chá e um quadro e um tapete. Você não ama, você faz entrevista de ator pra cena que tem…

claro, pateticamente pálido

Temos uma admirável capacidade de inflar nossas angústias.  Certo que existem muitos casos em que de um dia para o outro "alguém" nos rasga da cabeça aos pés, nos deixa com todos os órgãos na mão e vai embora deixando apenas um bilhete que diz "se costura como puder". O alguém foi colocado entre aspas para assinalarmos o ponto exato do corte: qualquer pessoa que nos corte, nos cortará com uma faca que é nossa, ou seja, em algum momento de sua relação com quem quer que seja, você a presenteia com um objeto metálico cortante na intenção de que ela nunca use... A vida é uma graça e nós mais ainda. Outros casos de problemas não envolvem exatamente a relação com outros seres "racionais" (não há necessidade da explicação dessas aspas) e é aqui que brincamos um pouco além do que nossos brinquedos nos permitem porque, às vezes, nossos problemas são apenas sutiãs que abrem no meio de uma avenida movimentada.

Traqueotomia

Não encarar algumas coisas faz um mal progressivo à minha mente, no entanto, encarar outras, causa a mesma coisa. No meio de um banho eu tentei listar as coisas que eu não repetiria. Faz muito tempo que eu não falo de você como sendo o epicentro e hoje eu estou fazendo isso por uma necessidade gigantesca de fazer um corte na traqueia por causa de ontem quando ao tentar dormir, com a cabeça lotada de assuntos, você apareceu em minhas pálpebras com todos os nossos segundos juntos, jogando todos na minha cara. Eu não sei porque você foi tão violento em atirar nossos dias em mim no meio de uma noite de uma segunda-feira.  E eu sei que foi eu, não precisa dizer, eu não tenho dez anos.  Cair de joelhos de madrugada numa rua não é o fim dos tempos para mim e provavelmente ainda vou ralar muito minhas pernas pelos asfaltos da vida (literalmente), mas chorar depois disso foi mostrar com uma ótima nitidez a minha alma a você. Primeira coisa que eu consertaria: eu não mostraria a minha alma. Eu…

Mil vezes fim cinco

"Eu amava você pela maneira assustada que você descia as escadas, se irritando por gostar de mim. Eu deixei de te amar quando percebi que você era viciado nos primeiros dias do amor. Eu deixei de te amar porque eu sou viciada nos primeiros dias do amor e -quando seus olhos se aquietaram ao descer as escadas e me ver atirada no sofá- não pude suportar."



T.B

Mil vezes fim quatro

"Você tentou me ajudar, mesmo sendo final de ano. Você me disse "desejo vive na ausência, na saudade, na imaginação, no não saber, no silêncio, na lacuna". Você disse isso mesmo? Não lembro. Eu sempre invento em cima de você. Ainda que você diga suas coisas incríveis, você é sempre melhor de ser inventando. Eu reclamei do frio. Mas como se ontem estava tão quente? E você pegou o gancho e disse que era aí mesmo que eu errava tanto. "Uma hora esfria, depois esquenta, é saber esperar, é saber dançar, é deixar o outro vir e sentir e dizer e poder ir e voltar". E eu espero? E você disse, como se pra você isso também fosse difícil: "não, você vive a sua vida". Você rachou a conta pela primeira vez e voltou a pé. Eu gritei "obrigada" da janela, você não ouviu porque estava livre. Eu não senti nada a não ser como era maluco não sentir nada."

T.B

Mil vezes fim três

"Você queria ir a pé mas estava chovendo. Você apertou os cantos do cérebro, como se existissem cantos pra descansar o que pensamos, e eu reconheci aquela dor. Você estava apaixonado por outra. Era a cara que você fazia pra mim lá no começo. A cara de doente terminal aprendendo a viver. Estava chovendo e você se assustou com o barulho do meu limpador de pára-brisas quebrado. Você é como um filhote de gatinho, tão indefeso, tão assustado, tão sobrevivente de caixas de papelão esquecidas. Tão pronto pra viver em algum espaço com apenas comida e água. Sumir em tetos, se retrolamber e, finalmente, virar aquele ser que não precisa mas fica por perto. Sentamos na mesa de quando brigávamos. senti ciúme. Ela ligou. Você atendeu nervoso. Não senti ciúmes. Tudo o que eu poderia sentir, que sempre era tão maior do que eu poderia, eu sentia agora por outro. E você sabia porque viu alguma coisa no meu Facebook."

T.B

Mil vezes fim dois

"Porque é triste sair da academia e ninguém gostar de mim. Voltar do almoço e ninguém gostar de mim. Chegar no aeroporto e ninguém gostar de mim. Então eu quero ter uma mulher, uma namorada, alguém. Mas depois eu preciso ir embora. E elas sofrem. Mas eu preciso ir embora, entende? E daí se eu preciso? Então, se você é mais sensível, e eu sinto que você é, eu já te aviso: use uma armadura de zíper."
"Você me disse que eu amava o personagem sem rosto que estava na minha cabeça e não você. Eu amo de quase morrer o mesmo cara que nunca existiu. Tá, e daí? Não dá pra fazer o teste e pegar logo o papel?"


"Eu ganhei uma caixa com discos do Chico Buarque e não mexo nisso porque preciso continuar provando para as pessoas que trabalham comigo que eu sou um cara forte. Se vamos sair daqui inimigos, amigos, se vamos casar não sei. Só sei que eu quero ficar dez dias sem te ver. Eu deveria ter saudade de você o tempo todo mas eu não tenho. Eu deveria fazer terapia. Você fi…

Mil vezes fim um

"Aos poucos, no meu asfalto, pode ser que nasça uma flor.  O problema é que você começou a nascer demais. Entende?  Demais.  E eu disse: peraí com isso.  Você chegou com tanta pureza, tanta.  Você me enfraquece e eu não posso.  Você é muitas coisas.  Minha proposta pra você é a seguinte: de vez em quando. Transar, se ver, se falar. Eu sou um homem bem estranho, eu posso ser seco, eu não quero toda essa sua violência de amor pra cima de mim.  Sua capacidade de odiar quem não te dá esse amor perfeito que você espera.  Eu não quero mais."

 T.B

Trauma um

Não sabia que Tati Bernardi escrevi pra (pro?) Folha. Fiquei tão surpresa quanto quando descobri que Gregorio também escrevia. E tão quanto, também, quando descobri que ela ainda não tinha morrido. "Como alguém pode escrever tão bem e ainda estar vivo?" acho que muita gente pensa como eu pensei um dia. Não sabia que Tati Bernardi sabia a angústia de encarar uma comida por lembrar de alguém. Como é ridículo não conseguir encarar (comer) uma simples (imensamente simples, meu Deus) esfiha de calabresa. Eu sempre tive dificuldade de escrever a palavra esfiha por achar esquisita e de aparência totalmente errada, porém menos errada que eu por me deixar levar a um momento que já sumiu mais que a fumaça do primeiro cigarro acendido no planeta.  Será que as fumaças somem mesmo?  Será que eu sou doida mesmo por não conseguir engolir mais esse tipo de salgado?  Será que a (o?) Folha iria contratar alguém com o mesmo distúrbio que o meu?  Será que você tem a mesma probabilidade que a f…

" [...] Você é mãe do sol

A sua coisa é toda tão certa. Beleza esperta. Você me deixa a rua deserta quando atravessa e não olha pra trás. Linda e sabe viver. Você me faz feliz. [...] Você é forte. Dentes e músculos. Peitos e lábios. Você é forte. Letras e músicas. Todas as músicas que ainda hei de ouvir. [...] Areias e estrelas não são mais belas do que você. [...] Gosto de ver você no seu ritmo, dona do carnaval. Gosto de ter, sentir seu estilo, ir no seu íntimo. Nunca me faça mal. [...]"

Íntrons

Não tenho a função de ser mecanismo splicing na vida de ninguém. Nenhum de nós. Nem nossos pais. No entanto, não é uma ação ruim tentar ajustar a posição de certos olhos. Talvez seja inútil, mas tudo nesta vida comporta a chance de ser inútil, ou seja, não custa tentar.  Já passou por alguma coisa feita por você mesmo que te encheu de certeza de não repetição? Antes, é necessário saber se a oportunidade de refazer existiu. Por exemplo, quando você corta a mão de alguém com um facão e se arrepende, se o aprendizado for concluído, aparecerão oitenta mãos em sua frente e seu facão não será usado.  Já se afastou de amigos por algum relacionamento "amoroso"? Se você continua fazendo isso, você ainda não aprendeu nada, o que é uma pena, pois o esporte de jogar amigos no lixo sempre que possível é limitante e uma hora você não os acha mais lixeira.  O fator principal é que eu não tenho a intenção de te fazer sentir ódio por si mesmo, pelo contrário, eu gostaria que você alguma hor…

O não funcionamento das 50 receitas.

Quando você se obriga a dormir, o sono foge. Seu corpo para um lado, seu braço na posição mais confortável. O melhor travesseiro. O mais agradável lençol. O pensamento mais aleatório e o mais agonizante se juntam e dançam em sua mente. Você não consegue contar nada. Todas as receitas são falhas. Todo o mundo em cima de você. Até que você acorda... Nem percebe que dormiu, não nota quando conseguiu. Assim é com a dor, a gente não tem uma receita perfeita de fazer com que ela vá embora. Quando ela resolve ir, é sem avisar. Assim é com a vida: sem manual. Quando percebemos, já vivemos.


Cultura Reversa

Adequar-se a uma sociedade violenta se tornou algo tão rotineiro que ao pararmos para analisar essa postura tomada por nós mesmos fica difícil encontrar um modo racional que, na prática, nos possibilite viver sem tais enquadramentos.     Não andar por ruas escuras e vazias, esconder da melhor forma objetos de valor e não andar com roupas “indutoras” são regras que seguimos e na maioria das vezes nem questionamos. Por que deveríamos temer perder aquilo que nossos trabalhos nos permitiram ter ou encaramos como um dever termos que optar por ruas mais “seguras”? Melhor: quem definiu o tipo de roupa que não nos colocará em risco?     Assim como um relógio no pulso não é um pedido de assalto, uma roupa curta, colada ou transparente não é um chamado para algum ataque. O principal atraso mental da população é dado quando um bom número concorda que a culpa é da vítima e isso é justamente o que possibilita a continuidade dessa cultura reversa onde muitos se acham no direito de atacar já que …

Incisão

Teus olhos que são como facas silenciosas que não ameaçam, apenas cortam, como as coisas decisivas têm que ser. Sem latidos, só mordidas. Teu sorriso que na maioria das vezes não existe e todo esse teu jeito de se esconder por trás da cortina da sala para que ninguém veja o último corte estranho que você fez no cabelo. Todos os canhões que você sempre tem mirados para quem quer que apareça na tua frente em conjunto com cada elemento que, no mundo, só existe em você me assustam, me fazem andar dezenas de passos para trás com medo de dizer qualquer palavra que faça você sair por aquela porta e perder-se universo a fora. Eu queria que você soubesse que toda essa sua fúria contida tem me assustado bastante e todo o cuidado que eu tento ter é só para que você fique um pouco mais, querida, já que eu sei que você vai embora de qualquer jeito.

Temporariamente Removida

Ser justo dói.  Depois de muito tempo realizando caprichos e usando anestesia, levar um choque de disciplina é imensamente doloroso. É complicado definir a linha exata de justiça a qual tento achar que existe porque se o planeta Terra não for só meu (e você vai dizer que não é), o bem que tento fazer para mim tem um significado que eu mesma atribuí, então não tem como saber se é realmente algo bom.  Era muito mais fácil ser injusta, reclamar no fim do dia do quão mais eu poderia ter feito, ver o quanto as pessoas gostavam de sentar ao meu lado, notar o gigantesco sentimento nos olhos de x ou y e me sentir a rainha dos corações alheios. Era tão mais fácil não precisar ser minha própria segurança, poder observar meus sentimentos tão intensos se desfazendo em pouco segundos e escorrendo como água que lava. A simplicidade de ser tão rápida em tudo que eu vivia era muito mais confortável. Achar que eu era imune ao amor, ao ódio ou a qualquer coisa entre esses dois me deixava numa armadura…

Fanerógama

Das longas visitas ao submundo mental ganhamos o medo de nunca mais retornar à superfície.  Se todas as luzes se apagaram, o máximo que pode acontecer é que uma hora alguma acenda, no mais, seus olhos só vão se adaptando.  Ninguém pode se encontrar se não tiver se perdido.  A pequena angiosperma que me deram de presente está acabando de morrer, um tsunami em nosso continente é a última notícia, não consigo mais comer um salgado x por lembrar de uma pessoa y, não consigo responder meus e-mails diariamente, nunca vi tantas chuvas em um só ano, os comunistas continuam se sentindo mais inteligentes que os reaças, falar "reaça" me faz parecer comunista, dizer que odeio comunistas me faz parecer reaça, me faz frente aos outros porque pra mim isso não me muda em nada já que eu continuo perdida com todas as esperanças do planeta e com nenhuma, ao mesmo tempo.